Exegese Apocalipse 21.1


Por
Pastor Jailson santos

Exegese Apocalipse 21.1 

 

 



INTRODUÇÃO


A presente exegese visa estudar o texto de Apocalipse 21.1, a partir de uma análise histórico-gramatical-teológica, com o objetivo de entender e extrair o sentido original proposto pelo autor. Para isso, procurar-se-á entender contexto dos seus leitores originais, a fim de perceber as dificuldades dos cristãos da Ásia menor. Parte-se do pressuposto que um dos propósitos de João é confortar a Igreja militante de todas as eras nas lutas contra as forças malignas que se manista fisicamente por meio de homens impios e encorajá-la a permanecer fiel, pois a glória eterna é maior que o sofrimento terreno.
Uma leitura atenta desta passagem nos conduz ainda para algumas questões, tais como: O universo atual será totalmente aniquilado? De forma o novo universo será completamente outro? Será o novo universo essencialmente o mesmo cosmos que o presente, apenas renovado e purificado?[1] O que João quiz dizer com as palavras: “e o mar não mais existe”? O que devemos entender por “céu”? Qual deve ser a esperança da glória? Estas serão importantes perguntas a serem respondidas, mesmo de forma breve, no presente trabalho.
Em busca destas respostas, procurar-se-á estudar o texto em sua língua original, a fim de buscar uma tradução literal do mesmo, tentando respeitar ao máximo o sentido das palavras. Também, será apresentada a mensagem do texto, para época da escrita, e a partir dela, perceber o significado para todas as épocas. Dar-se-á atenção ainda aos aspectos teológicos e pastorais da passagem. De semelhante modo, será apresentado um esboço de sermão para uma possível pregação, já que o objetivo final deste trabalho é a pregação e aplicação das verdades estudadas ao contexto atual da igreja. Todavia, por considerar à profundidade dos aspectos exegéticos e teológicos da presente perícope, várias questões permanecerão em aberto para futuras discussões e análises.

1.     CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL.


1.1.          Autor, data e propósito.


Os versos de abertura do livro do Apocalipse claramente afirmam que o livro foi escrito por João, provavelmente durante o reinado de Domiciano (c. 95-96 d.C.). Segundo Hendriksen, no geral, o propósito do livro do Apocalipse é confortar a Igreja militante nas lutas contra as forças malignas que se manista fisicamente por meio de homens impios.[2] O Apocalipse foi destinado a encorajar os crentes no meio da perseguição romana, revelando que o seu Messias estava no controle e seria o vencedor final.[3]
João visava, portanto, que os cristãos entendessem que a eles foi dada a segurança de que Deus vê suas lágrimas (7.17; 21.4); suas orações são influentes nos negócios do mundo (8.3, 4) e suas mortes eram preciosa aos olhos do Senhor. A vitória final lhes é assegurada (15.2); seu sangue será vingado (19.2); seu Cristo vive e reina para sempre e sempre. Ele governa o mundo e os interesses da sua Igreja (5.7, 8). Ele está voltando de novo para tomar seu povo para si mesmo na “festa das bodas do Cor­deiro” e para viver para sempre com ele em “um novo céu e uma nova terra”  (21.1).[4]

1.2. Destinatários.


Como se sabe o livro de apocalipse foi escrito as igrejas que se encontravam na Ásia Menor. Embora alguns estudiosos vejam essas sete igrejas como representantes de sete diferentes dispensações ao longo da história da igreja, não há justificativa para essas visões decorrentes, quer do próprio texto, quer da história da igreja. Estas sete igrejas, no entanto, podem ter sido selecionados porque representam os tipos de igrejas e cristãos que João conheceu e talvez até ministrou.[5] O ponto que interessa aqui é a situação histórica que essas igrejas viviam (a perseguição como será vista a baixo) e como a mensagem de “um novo céu e uma nova terra” traria consolo e esperança.

1.3. A perseguição


Os leitores originais de João estavam suportando o martírio na época do apóstolo. Houve grandes perseguições nos primeiros séculos contra a igreja. Essa peseguição vinha de todos os lados e, de forma mais cruel, aconteciam nos ambitos politicos e sociais. Na esfera politica os cristãos da Ásia menor sofreram peseguições dos imperadores, tais como: 1) Nero (64 d.C); 2) Domiciano (95 d.C); 3) Trajano (112 d.C); 4) Marco Aurélio (117 d.C); 5) Sétimo Severo (fim do segundo século); 6) Décio (250 d.C); 7) Diocleciano (303 d.C).[6] Dentre estes imperadores, particulamente Nero (54-68 d.C) e Domiciano (81-96 d.C) passaram a exigir do povo reverências que se aproximavam muita da adoração, pois, chamavam a si mesmo de “Senhor” e “Deus”. [7]
Frank Thielman, citando Price, apresenta o decreto do século I, oriundo da assembleia provicial da Ásia, no qual há um descrição de como acontecia estas cerimônias:
Todos deviam fazer uma manifestação pública de sua fé, em todos os santuários, com intenções adequadas, em relação à casa imperial, os corais da Ásia reuniram-se em Pérgamo para o mais santo aniversário do deus Tibério César, e realizaram um culto que contribuiu grandemente para a glória do Augustus, louvando a glória imperial e fazendo sacrifícios aos deus Augustus, com celebrações e festas.[8]

Segundo Merril C. Tenney, “os cristãos se recusavam a prestar esta adoração se expunham às acusações de antipatriotíssimo, quando não de subversão”.[9] Um exemplo, desta perseguição pode ser vista na própria vida do autor, o qual, ao que parece foi exilado por causa de sua fé. Nesse sentido, para entender a mensagem do apocalipse deve-se olhar para os dilemas e esperanças da época.
Nesse sentido, a mensagem principal do livro é que os cristãos sofrem cruéis perseguições, e muitos são mortos. Mas os que continuam fiéis a Deus e ao Messias que Deus escolheu receberão como prêmio a vida eterna (2.10) e, vitoriosos, reinarão para sempre com Deus no “novo céu e na nova terra” (22.1).[10]

1.4. A literatura apocalíptica e a esperança escatológica.


Para uma melhor interpretação da presente passagem, precisa-se entender qual é o tipo de gênero específico da mesma. Beasley-Murray, assinala que os versículos iniciais de Apocalipse parecem apontar para três identificações de gênero diferentes: Apocalipse (1.1; Ἀποκάλυψις “reve­lação”, ARA), Profecia (1.3) e Epístola (1.4).[11] Durante toda escrita estes elementos aparecem em grau maior ou menor. A perícope aqui analisa faz parte, de modo específico, do gênero literário apocalíptico. Por isso, deve-se entendê-la dentro desta peculiaridade.
O Rev. Hermisten falando da necessidade de se entender este gênero literário afirma que “o estudo da Apocalíptica Judaica se torna numa ferramenta muitíssimo importante para a compreensão da complexidade do Livro de Apocalipse...” Deve-se, então, entender o que é, e como deve ser interpretado um texto neste gênero e qual a sua relevância para a mensagem.
Segundo Bornkamm, a literatura apocalíptica “é uma forma tardia de profecia do Antigo Testamento que ainda leva as marcas de sua origem, com suas extensas citações, imagens e sentenças tiradas dos profetas do Antigo Testamento”.[12] Entretanto, os escritos apocalípticos “difere da profecia em virtude do dualismo cósmico em que se incuba sua expectativa do fim”.[13] J. J. Collins lança ainda mais luz ao assunto, ao afirmar que este tipo de escrita é,

Um gênero de literatura de revelação com uma estrutura narrativa, na qual uma revelação é mediada por um instrumento humano, que revela uma realidade transcendente, a qual é, ao mesmo tempo, temporal, enquanto visa salvação escatológica, e espacial, ao envolver um outro mundo, um mundo sobrenatural.[14]

Normalmente este tipo de literatura aponta para uma esperança escatológica diante do sofrimento presente. Por isso, a presente passagem é uma mensagem de esperança diante das situações opressivas que os cristãos viviam.[15]
Além disso, Mounce destaca que um papel principal do apocalipse era explicar por que o crente sofria e por que o reino de Deus se demorava.[16] Essa ideia, por sua vez, faz muito sentido no entendimento do livro e da nossa passagem. Segundo Willian Barclay, em Abrão Deus havia prometido ao seu povo uma terra e aos seus descendentes um reino de paz. Entretanto, depois da morte de Salomão, o reino, que já era bastante pequeno, dividiu-se entre Roboão e Jeroboão. Deste modo perdeu sua unidade.[17]
O reino do Norte, com sua capital na Samaria, desvaneceu-se pelo fim do oitavo século, frente ao ataque dos assírios, e nunca mais voltou a reaparecer na história, constituindo agora o que se denominam “as dez tribos perdidas de Israel”, sem uma terra própria.[18]
O reino do Sul, com sua capital em Jerusalém, foi reduzido à escravidão e o exílio pelos babilônios na primeira parte do século VI a.C. Seria mais tarde um estado vassalo dos persas, dos gregos e na época da escrita dos romanos.[19]
João, então, mostra que o reino de Deus será consumado e os fiéis viverão eternamente na verdadeira terra que mana “leite e mel”, na qual Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.[20]



2. CONTEXTO LITERÁRIO DA PASSAGEM


Para o melhor entendimento deste texto considerar-se-á como ele se relaciona com o seu contexto remoto e próximo.

2.1. CONTEXTO REMOTO


O livro de apocalipse pode, obviamente, ser esboçado ou dividido de várias maneiras, mas a maioria dos comentaristas ver o verso 19 do capítulo primeiro, como um esboço que divide naturalmente o livro. Walvoord assevera que “este esquema é o único que permite que o livro fale por si só, sem manipulação artificial”.[21]
Nesse verso João oferece uma divisão para o leitor em de três partes: Após o prólogo ou introdução, temos o que João chama de “as coisas que viste”,[22] isto é, as coisas do passado. Seguido por “e as que são”,[23] ou seja, as coisas presentes, e em seguida “as que hão de acontecer depois destas”.[24] 
Com base neste sumário, Revelação cai em três divisões seguintes: (1) As coisas do passado, são as coisas que João tinha visto a partir do versículo 9-19 incluindo o versículo 20, que é uma explicação de parte desta visão, a visão do Cristo glorificado (1.9-20). (2) As coisas do presente, são as mensagens às sete igrejas, as quais possuem lições e princípios que se estendem para toda era cristã entre a primeira e segunda vinda de Cristo (02.1-3.22). (3) Finalmente, “e as que hão de acontecer depois destas”[25], leva o leitor para o futuro ou as coisas futuras, e lida com as coisas que já estão acontecendo nos últimos dias (4-22) e se consumaram no último dia.
Assim, entende-se que, aquilo que João ouviu na última parte de Apocalipse 4. 1 (“Suba para cá, e lhe mostrarei o que deve acontecer depois dessas”), é uma alusão as coisas que aconteceriam ao longo da história e no período imediatamente anterior, durante e posterior a segunda vinda de Cristo. Nesse sentido o capítulo 4 é um prólogo para as coisas futuras dos capítulos 6 a 22.[26]. A passagem aqui estudada (Apocalipse 21.1), portanto, faz parte das coisas futuras vistas e ouvidas por João. Ela é o clímax da revelação dada ao apóstolo.

2.2. CONTEXTO PRÓXIMO


Segundo Daniel Wallace, a perícope aqui estudada faz parte da seção que aborda as últimas sete coisas dos últimos dias.[27] Primeira, das sete últimas coisas, é vitória do Messias sobre as bestas (19.11-16). A segunda, as nações vencidas pelo que montava um cavalo branco (19.17-21). A terceira, Satanás está preso por mil anos (20.1-3). A quarta, os “mil anos” (simbólicos) entre a primeira e a segunda vinda definitiva de Cristo (20.4-6). Quinta, a rebelião e derradeira destruição de Satanás (20.7-10). Sexto, e o julgamento, por Deus, de todos os mortos diante do grande trono branco (20.11-15).[28]
A sétima, e última coisa apresentada por João nesta série, é o estado eterno (21.01-22.05).[29] Segundo Carson, o desaparecimento da primeira terra leva à visão que João tem de “novo céu e nova terra” (21.1) tão esperados pelos fiéis. Neste lugar Deus habitará com seu povo (21,2-5), e os justos estão separados dos ímpios (21.6-8). Em sua visão João vê “a noiva, a esposa do Cordeiro”, na figura de linguagem de uma nova Jerusalém, cujos aspectos e dimensões são descritos em considerável detalhe (21.9-21). Não haverá necessidade de templo nem de sol nem de lua nessa cidade, porquanto Deus e o Cordeiro ali estão, e ali não haverá maldade (21.22—22.5).[30] Capítulo 21 começou a descrição do estado eterno e continua até o versículo cinco do capítulo 22. 
Após este final esplêndido para uma visão do futuro, João conclui seu livro com um apelo aos leitores (22.6-21). Três dão seu testemunho da veracidade deste livro: um anjo (22.6-11), o próprio Jesus (22.12-17) e João (22.18-21).[31] João recebe a promessa de que a mensagem contida nas visões que teve é "fiel e verdadeira" e de que haverá recompensa para aqueles que forem fiéis e leais. Essa recompensa é trazida pelo próprio Jesus, que vem “sem demora”.[32]

2.3. ESTRUTURA DO CONTEXTO

  

2.4. CONTEXTO CANÔNICO 


A primeira referência canônica de apocalipse 21.1 é o relato da criação em Gênesis 1.1: No princípio, criou Deus os céus e a terra”. Seguindo, do pecado do homem: “tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu”. A criação prefeita de Deus é manchada pelo pecado do homem. A promessa de vitória é feita em 3. 15:Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.
O texto que temos diante de nós é um eco da esperança profetizada por Isaías: “Porque, como os novos (καινὸν – LXX) céus e a nova (καινὸν – LXX) terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o Senhor, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome”.[33] Como será visto mais a frente, João transformou um oráculo do Senhor em Isaías 65.17 (cf. 66.22), “numa narrativa visual”. [34]
Em relação à restauração cósmica é possível perceber a mesma ideia em Romanos quando Paulo diz que “a ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus... na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Romanos 8. 19 – 22). Este texto, por sua vez, não é apenas uma correlação de ideias, mas acima de tudo lança luz, e até mesmo serve como uma das bases explicativas, para o texto de Apocalipse 21.1.
Paulo falando da consumação da obra de cristo aos Colossenses afirma que Deus “havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus”.[35] De início deve-se observar que as palavras “τὰ πάντα” (“todas as coisas”) são usadas por Paulo como lema em várias partes do deste texto. Elas expressam uma universalidade e sugere um sentimento coletivo, isto é, “o universo inteiro”.[36] Assim, O pensamento de Paulo está extremamente ligado a ideia de restauração do universo apresentada por João.
Por fim, o “novo céu” e “nova terra” que João viu, são os mesmos que Pedro descreve como esperança da glória: “Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça”. (2 Pedro 3.13).
  

3. ESTUDO TEXTUAL


Nesta seção faz-se a tradução literal do verso objeto de estudo nesta passagem (considerando ao máximo a ordem de palavras no original), a qual será, por sua vez, comparada com outras versões, buscando pontos de divergências e convergências e apresentar-se uma estrutura interna do texto.

3.1. TRADUÇÃO DO TEXTO


Καὶ εἶδον οὐρανὸν καινὸν καὶ γῆν καινήν· ὁ γὰρ πρῶτος οὐρανὸς καὶ ἡ πρώτη γῆ ἀπῆλθαν, καὶ ἡ θάλασσα οὐκ ἔστιν ἔτι[37]
E depois[38] vi[39] um[40] céu novo e uma terra nova, pois primeiro céu e a primeira terra passaram.[41] Também o mar não é mais.

3.2. OUTRAS VERSÕES


ARA
CATÓLICA
NVI
LTT2009
Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
Vi, então, um novo céu e uma nova terra. O primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
Então vi um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia.
E vi um novo céu e uma nova terra (porque o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar não mais existe).


                Uma comparação com as versões revela que há convergências e nenhuma divergência importante com a tradução pessoal aqui apresentada.

3.3. ESTRUTURA DO VERSÍCULO

               
E depois
vi
um céu novo
e uma terra nova
pois
passaram.
primeiro céu
e a primeira terra
Também
o mar não existe mais.

3.4. Estrutura da perícope


A perícope Apocalipse 21. 1 – 4 pode ser dividida como se segue no gráfico a baixo:



4. COMENTÁRIOS      


A mensagem do apocalipse até então nos apresentou uma mistura muito notável de luz do que aconteceria no “lá e então” com o cuidado de Deus no “aqui e agora”. João chega ao clímax do que aconteceria na consumação dos séculos e oferece ao leitor uma representação do perfeito, triunfante e eterno estado que a igreja terá no mundo porvir, no qual os santos fiéis e servos de Deus não só verão, mas desfrutarão da perfeita santidade e felicidade desse novo mundo.[42] 

4.1. Uma visão gloriosa - καὶ εἶδον (“E eu vi”).


A perícope começa com a expressão καὶ εἶδον (“E eu vi”). Esta é a primeira de três declarações neste capítulo, as quais marcam a divisão natural dos principais elementos da revelação (cf. 21:2, 22). A visão do verso 1 é uma referência do terrível fim deste mundo e do glorioso começo de um mundo novo. Ela é uma discrição visual do que Deus falou no passado de forma literal em Isaías: Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas”. (Isaías 65.17 – ARA). David Aune assevera que “o autor transformou um oráculo do Senhor em numa narrativa visual”. [43]
É de suma importância compreender o significado do verbo εἶδον (segundo aoristo ativo do indicativo - “vi” “voltar os olhos, a mente, a atenção a algo”). Ele é usado aqui no sentido de “ver como um vidente em estado de êxtase”.[44] Segundo, Kaschel alguma coisa vista em sonho ou em transe e usada por Deus para comunicar uma mensagem a alguém (Is. 1.1; Am. 1.1).[45] Neste caso, o “vidente” entra num estado de êxtase mais alto, a saber, o de “estar no Espírito” e ser usado de forma especial.
João não mais vê com seus olhos físicos; não mais ouve com seus ouvidos físicos. Sua alma é levada além de todos os objetos ao redor e totalmente fixada nas coisas que lhe são mostradas na visão. E levada à região do trono (cf. 17.3), à região do trono tal como este lhe aparece na visão.[46] Como o próprio nome do livro demonstra João teve, não só aqui, uma revelação inspirada das coisas que haveria de ser.

4.2. Um universo Restaurado


Nos capítulos finais de Isaías, Deus prometeu que iria “criar novos céus e nova terra” que duraria para sempre diante dele (Is 66.17, 22). O cumprimento desta promessa agora começa a se desdobrar na visão de João da Nova Jerusalém, que descia do céu para tomar o seu lugar em cima de uma nova terra. Neste tópico, verse-a a natureza e a extensão, desse “novo” universo.

4.2.1. A natureza do novo universo - οὐρανὸν καινὸν καὶ γῆν καινήν (“Um céu novo e uma terra nova”)


A grande pergunta inicial a ser respondida aqui é se esse novo universo é sinônimo de uma nova criação ou a restauração completa e perfeita da presente criação. Em outras palavras, o universo atual será totalmente aniquilado, de forma que o novo universo será completamente outro, ou será o novo universo essencialmente o mesmo cosmos que o presente, apenas renovado e purificado?[47] Essa tem sido uma questão de grande controvérsia entre os exegetas e comentaristas, e sua resposta não é tão óbvia como a primeira vista pareça ser.
Segundo Hoekema, os teólogos luteranos, frequentemente, entendem “novo” como um sinônimo da criação de Gênesis: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn. 1.1 – ARA). O verbo בָּרָא (bara – “criar”) expressa a criação do nada (ex nihilo), uma ideia que é vista claramente nas passagens relativas à criação em escala cósmica.[48] Estes teólogos entendem, então, que Deus criará um novo universo “ex nihilo”. A implicação desta tese é que ela os leva ao conceito do “aniquilamento” do presente cosmos e de uma descontinuidade completa entre o velho universo e o novo.[49]
Estes exegetas apelam, ainda, para passagens tais como: “O sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes dos céus serão abalados” (Mateus 24.29) e “Os céus incendiados serão desfeitos e os elementos abrasados se derreterão” (2 Pedro 3.12). A conclusão, portanto, é que eventos cataclísmicos acompanharão a destruição da terra atual.[50] Dr. John F. Walvoord, por exemplo, postula que o novo céu e nova terra apresentados em apocalipse 21.1, não são, evidentemente, simplesmente o velho céu e da terra renovado, mas um ato de nova criação.[51]
Em contra partida, a este pensamento, a maioria dos teólogos reformados tem rejeitado o conceito de “aniquilamento total” em favor do conceito de renovação. A primeira, razão para isso, é que tanto em 2 Pedro 3.13 como em Apocalipse 21.1 o termo grego utilizado para designar a novidade do cosmos não é νέος (néos – “novo”, “nascido recentemente”, “jovem”, “juvenil”), mas sim καινὸν (kainos - “novo”, “fresco”, “recente”, “não usado”, “não surrado”)[52].
É verdade que tanto νέος como καινὸν às vezes são traduzidos ​​da mesma forma, mas há uma diferença entres estas palavras. A palavra νέος, normalmente, significa “novo em tempo ou origem”[53] e “sem existência previa”,[54] enquanto que a palavra καινὸν, de modo geral, significa novo em natureza ou em qualidade.[55] Assim, expressão οὐρανὸν καινὸν καὶ γῆν καινήν (ouranon kainon kai gen kainen - “Novo céu e nova terra”, Ap. 21.1 - ARA) significa, portanto, não a emergência de um cosmos totalmente outro, diferente do atual, mas a criação de um universo que, embora tenha sido gloriosamente renovado, está em continuidade com o universo presente.[56] Nas palavras de Morris é “uma nova edição da mesma coisa”. [57] 
Beale também observa que os contrastantes “primeiro e segundo” e “velho e novo” expressar esta distinção qualitativa em outros lugares em Apocalipse e na literatura bíblica.[58] Além disso, no texto grego as palavras οὐρανὸν (“céu”) e γῆν (“terra”) estão sem o artigo destacando, também, o aspecto da qualidade, em vez de identidade. Literalmente, é “céu novo e uma terra nova” e não “o novo céu e a nova terra”. Em outras palavras, o uso do adjetivo καινὸν (kainos - “novo”) mais esta construção com a ausência do artigo serve para enfatizar ainda mais a diferença qualitativa.[59]
Outro aspecto que aponta para uma restauração da terra e não o seu aniquilamento é o princípio hermenêutico da analogia das escrituras.[60] Textos, como por exemplo, Romanos 8. 20-23 e Colossenses 1.20 falam de uma restauração do universo e não de seu aniquilamento. Lenski a afirma que os exegetas que negarem a restauração da terra e postularem uma criação “ex nihilo” entram em conflito com Romanos 8.20-23.[61] Em Romanos 8.21 Paulo escreve: “na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”.[62] A palavra a ser destacada aqui é “ελευθερωθησεται” que significa “colocar em liberdade: do domínio do pecado”[63] e não ser aniquilada.
Hoekema comentado sobre este escrito de Paulo corretamente assevera:
Quando ele nos diz que a criação aguarda, com ansiedade, pela revelação dos filhos de Deus a fim de que possa ser liberta do cativeiro da corrupção (vv. 20,21), ele está dizendo que é a criação atual quem será libertada da corrupção no eschaton, não uma criação totalmente diferente.[64]

Outro aguamento a favor da restauração são as analogias do que aconteceu com o crente na conversão e acontecerá na ressurreição. Em relação a primeira ideia, Paulo em 2 Coríntios 5.17 diz: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura (καινὴ κτίσις); as coisas antigas já passaram (παρῆλθεν“morrer”, “perecer”); eis que se fizeram novas (καινά)”.[65] Isso não significa que, quando fomos convertidos a Cristo, deixamos de ser ou aniquilados por completo, mas transformados (γέγονεν καινά - fizeram novas) de dentro para fora. Da mesma forma, os céus e a terra será radicalmente alterado e gloriosamente renovado. Este presente do universo sofrerá uma vasta renovação, um renascimento.
No que se refere a ressurreição do corpo a mesma ideia pode ser entendida. Sabe-se que haverá tanto continuidade como descontinuidade entre o corpo atual e o corpo ressurreto.[66] Para Hoekema, “as diferenças entre nossos corpos atuais e nossos corpos ressurretos, por mais maravilhosas que sejam não retiram a continuidade: somos nós que seremos ressuscitados, e somos nós que estaremos para sempre com o Senhor”.
Esse argumento ganha força com a intima relação feita por Paulo em Romanos 8. 22,23:
Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.[67] (Destaques nossos)

Assim, aqueles ressuscitados com Cristo não serão um conjunto totalmente novo de seres humanos, mas sim o povo de Deus que viveu nesta terra. A título de analogia, seria de se esperar que a nova terra não será totalmente diferente da terra atual, mas será a terra presente maravilhosamente renovada (καινὸν).[68]
Ladd assevera que no pensamento hebraico via “uma unidade essencial entre homem e natureza”.[69] Johnson, parece ter a mesma ideia, ao dizer que o apóstolo vê o homem e a criação ligados entre si. O pecado do homem afetou toda a criação (cf. Gn 3,17-19). Respondendo a isso, a redenção afeta não só o homem, mas o universo criado. A própria criação geme e está cheia de dor enquanto espera o dia da sua restauração (cf. Rm 8.22) e “não somente ela, mas também nós”.[70]
A dificuldade desta tese que temos defendido até aqui é a correlação com Isaias 65.17:Pois eis que eu crio (בָּרָא - bara –criação do nada ou ex nihilo) novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas”. Esse texto, assim, à primeira vista parece que o universo seria criado do nada. Dissemos que καινὸν, via de regra, significa novo em natureza ou em qualidade e não no sentido de inédito. A pergunta é: “O profeta defende a ideia de uma criação nova a partir do nada?”
Responder está questão não é nem simples nem fácil. Seria necessária uma grande discussão sobre o assunto. Por ora, precisamos entender a que o profeta se refere e como o termo בָּרָא (bara) também foi usado em outros lugares. Segundo Gary T. Meadors, o profeta provavelmente, chama a atenção para o relato da criação de Gênesis 1.[71] Nesse sentido ele olha para o passado e diante dele para o futuro. Além disso, o mesmo autor observa que o termo בָּרָא (barra) como Gênesis 1.1 é contextualmente dependente e nem sempre se aplicam como em Gênesis 1, como por exemplo, Salmo 51.10, no qual Davi ora dizendo: “Cria (בָּרָא - bara –criação do nada ou ex nihilo) em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável”[72]
Além disso, a ideia de novos céus e nova terra no contexto que aborda questões escatológicas, como por exemplo 2 Pedro 3:13, é realmente centrado na ética. Ele postula, que 2 Pedro 3:1, 11, 14 e 17 exortam os piedosos a viverem em função do futuro.[73] Assim, “a cláusula final de 3.13 também destaca essa nuance observando que ela será uma terra em que “habita a justiça”. A chamada para a ética é um tema importante em passagens proféticas do Novo Testamento”.[74]
Em suma, καινός (“novo”), como vimos supra, refere-se predominantemente a uma mudança na qualidade ou essência ao invés de algo novo que nunca tenha estado em existência. Este uso de καινός é especialmente encontrada em contextos N.T. descrevendo transição. [75] Assim, conclui-se que καινὸν é sinônimo de uma restauração total e final e não uma criação “ex nihilo” (בָּרָא bara – “criar do nada”). Como corretamente postulou Matthew Henry: Pela nova terra, podemos entender um novo estado para os corpos dos homens, bem como um paraíso para suas almas. Este mundo não é agora recém-criado, mas recém-inaugurado, e preenchido com todos aqueles que foram os herdeiros dele”.[76] 

4.2.2. A extensão da Restauração - οὐρανὸν καινὸν καὶ γῆν καινήν (um céu novo e uma terra nova).


As palavras “novos céus e nova terra” expressam uma universalidade e sugere um sentimento coletivo, isto é, “o universo inteiro”.[77] O que João viu foi um universo inteiro que a de ser restaurado. Hoekema falando sobre esse assunto assevera que:

Para entender completamente o sentido da história, portanto, devemos ver a redenção de Deus em dimensões cósmicas. Uma vez que a expressão “céus e terra” é a descrição bíblica de todo o cosmos, podemos dizer que o alvo da redenção é nada menos do que a renovação do cosmos, aquilo que os cientistas da atualidade denominam de universo.[78]

Hermann Ridderbos parece ter a mesma ideia ao dizer:

Esta redenção [operada por Cristo] (...) adquire o sentido de um drama divino que abrange tudo, ou, seja, é uma luta cósmica, na qual está envolvido não somente o homem em seu pecado e condição de perdição, e na qual estão inscritos os céus e a terra, anjos e demônios, e cujo alvo é trazer de volta todo o cosmos criado para estar sob o domínio e senhorio de Deus.[79]

Em suma, a expressão “céus e terra” deve ser entendida como um modo bíblico de designar o universo inteiro: “Céus e terra conjuntamente constituem o cosmos”.[80] Logo, João vê uma transformação de todo o universo criado.

4.3. Um lugar especial - ορανς (“céu”)


Segundo Deffinbaugh, a palavra “céu” nem sempre expressa a bem-aventurança eterna, que será vivida pelo verdadeiro crente em Jesus Cristo.[81]  A palavra hebraica para o céu, (מִנ־הַשָּׁמַיִם), e seu homólogo grego (ορανς), são ambas usadas ​​de três maneiras diferentes.[82] Segundo David Guzik, na Bíblia “céu” é entendido como o ar, ou a atmosfera, logo acima da terra, onde, por exemplo os pássaros voam (cf. Gênesis 1:20 ).[83] O “céu” segundo é o reino celestial em que o sol, a lua e as estrelas são encontradas (cf. Gênesis 1:14 ).[84] O terceiro uso de “céu” aplica-se a morada de Deus (cf. Isaías 63:15 ), muito acima da atmosfera ou céu celestial.[85]
Nenhum destes três significados de céu se refere precisamente ao “novo céu” que João viu e que os seguidores de Cristo viverão. Quando falou aos seus leitores sobre este “novo céu”, falava da bem-aventurança eterna, que todos os verdadeiros cristãos irão desfrutar na terra restaurada na qual vivemos. Essa, sem sombra de dúvida, é descrição de céu nos dois últimos capítulos do livro do Apocalipse.[86]

4.4. O universo do passado - πρῶτος οὐρανὸς καὶ ἡ πρώτη γῆ ἀπῆλθαν (o primeiro mar e a primeira terra passaram).


O verbo ἀπῆλθαν (“ir embora”, “partir” “passar”) é também traduzido como “de um estado transitório das coisas”. Ao mesmo tempo em que há novidade há continuidade. Esse perece ser o pensamento da literatura rabínica. Alguns autores rabinos ensinavam que o mundo seria renovado e feito de novo, de modo que iria retornar ao seu estado original após a criação, limpo do pecado e do mal.[87]
O contexto imediato, ao que parece, sustenta esta ideia. Lenski observa que a menção da árvore da vida (22.2) e do rio da água da vida (22.1) recorda a cena no jardim do Éden, onde a árvore da vida foi plantada no meio do jardim (Gn 2. 9; 3.22) e regada por um rio que corria do Éden (Gn. 2.10). Essa ideia também faz jus com o propósito do autor. A ênfase na comunhão renovada entre Deus e seu povo (Ap 21.2-4, 7, 9; 22.3-4) encoraja o leitor a ver nesta seção final, uma reconstituição do jardim do Éden,[88] no qual, o שָׁלֹום (“shalom” - “paz” ou “bem-estar”) universal e permanente acontecerá.
João em contraste com o dualismo grego (no qual a salvação é “voo” da alma, da matéria terrena e transitória, para o espiritual e eterno), sempre coloca a salvação e plenitude da vida em uma terra redimida e restaurada. 

4.5. Um consolo ansiado - καὶ ἡ θάλασσα οὐκ ἔστιν ἔτι (também o mar não existe mais)


A razão da ausência do mar do universo ideal de João é fruto de grande debate entre exegetas e teólogos, tanto quanto o método de interpretação (literal ou simbólico) como no entendimento de seu significado. Por isso, as interpretações têm sido variadas e diversas. Beale, em seu excelente comentário, apresenta pelo mesmo cinco delas, vistas a luz do próprio apocalipse: (1) a origem do mal cósmico (especialmente à luz do pano de fundo do cultural de nações citadas no A.T., as quais viam o mar, como morado dos deuses Tehom ou Tiamat.[89] Ap. 4.6; 12.18, 13.1; 15.2), (2) Os incrédulos e nações rebeldes que causam tribulação para o povo de Deus (13.1; Isa 57.20; cf. Ap 17.2, 6), (3) o lugar dos mortos (20.13), (4 ) o local principal da atividade do comércio mundial da idolatria (18.10-19), (5) Uma água literal, às vezes mencionado junto com “a terra”, usada como uma sinédoque (do grego synedoché = compreensão) em que o mar como uma parte da antiga criação representa a totalidade dela (5:13; 7:1-3; 8:8-9; 10:02, 5-6, 8; 14:7; 16:03 [?]).[90]
Ao que parece, a ideia de “καὶ ἡ θάλασσα οὐκ ἔστιν ἔτι”,[91] (também o mar não existe mais) é um resumo a forma como todas estas nuances diferentes de “mar” ao longo do livro. Portanto, abrangem simbolicamente, todos os cinco sentidos. A afirmação de que “o mar não existe mais” é explicada em 21.4: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”. Acertadamente observa David Guzik, que o mar, em um sentido mais geral, é visto como os adversários do Senhor que devem ser conquistado (Sl. 89. 9).[92] Como observa Leon Morris, o mar é um dos sete males João fala como sendo nada mais do que fonte de sofrimento: morte, luto, choro, dor, (v. 4), maldição (22.03) e noite (22.05). [93]
Todavia, quando a nova criação for uma realidade não haverá mais qualquer ameaça de qualquer forma (como descrita ao longo do livro e de forma específica nas cinco maneiras supra), porque o mal terá sido definitivamente julgado e excluído da nova criação. [94] Como corretamente observa Robert Mounce, uma razão plausível para o desaparecimento do mar é que “na mente do escritor é associado com as ideias que estão em desacordo com o caráter da Nova Criação.”[95]
Em suma, contexto imediato sugere um foco sobre o mar como representando a ameaça de tribulação para o povo de Deus, deixará de existir no estado eterno, pois este será o lugar de paz e harmonia.[96] Segundo Kistemaker João mesmo parece apontar para esta interpretação, ao escrever a frase paralela que reintera a mesma fraseologia: “o mar não mais existe” (οὐκ ἔστιν ἔτι.) e “pranto, tristeza, dor não mais existiram” (οὐκ ἔσται ἔτι).[97] Hendriksen postula que “no universo renovado (no novo céu e na nova terra) tudo será paz”.[98] Hoekema estava certo ao afirmar que:
Uma vez que o mar no restante da Bíblia, especialmente no livro do Apocalipse (cp 13.1; 17.15), frequentemente, representa aquilo que ameaça a harmonia do universo, a ausência do mar na nova terra significa a ausência de qualquer coisa que pudesse interferir nessa harmonia.[99]

Douglas Moo, por sua vez, postula que a ideia de restauração universal, tem como pano de fundo a previsão do Velho Testamento que, no último dia Deus vai estabelecer a שָׁלֹום (“shalom” - “paz” ou “bem-estar”) universal. O Antigo Testamento Javé sobre a forma de “paz” traria segurança e bênção para Israel na terra que ele mesmo lhes deu. Na nova terra reinará a שָׁלֹום (“shalom” - “paz” ou “bem-estar”)![100]

5. Mensagens do Texto.


Neste tópico será apresentada a mensagem do texto, para época da escrita, e a partir dela, perceber o significado para todas as épocas. Dar-se-á atenção ainda aos aspectos teológicos e pastorais da passagem. De semelhante modo, será apresentado um esboço de sermão para uma possível pregação.

5.2. Mensagem para época


Como já foi dito anteriomente, João desejava que ao ler seu escrito os cristãos entendessem que a eles foi dada a segurança de que Deus vê suas lágrimas; que suas mortes eram preciosas aos olhos do Senhor; que a vitória final lhes é assegurada; seu sangue será vingado; e que o Cristo que Reina está voltando de novo para tomar seu povo para si mesmo na “festa das bodas do Cor­deiro” e para viver para sempre com ele em “um novo céu e uma nova terra”  (21.1).[101]
Sendo assim, ao responder ao evangelho de Cristo e permanecerem fiéis a ele, diante de todas as coisas, os cristãos da Ásia menor seriam habilitados a viverem em paz um mundo perigoso e hostil. O reino dos céus já havia chegado (mesmo que ainda não esteja em sua forma plena), seria consumado e nova vida no novo céu seria iniciada nas bodas do Cordeiro.
A doutrina de uma nova terra deveria dar aos leitores de João esperança, coragem e otimismo naqueles tempos de desespero difundido. Eles deveriam entender que “embora o mal seja excessivo neste mundo, é confortante saber que Cristo conquistou a vitória final”.[102] Seu reino durará para sempre em contraste com os reinos, os quais, ao longo da história foram sucessivamente reinos destruídos pelos anteriores. Este nenhum reino vai destruir (cf. Sl 2.6-9; 72.11, Isaías 11; Ap. 19.15-16), pois é um reino eterno.
Na nova Jerusalém adornada como uma noiva para seu marido, não haverá perseguição, morte, tristeza e consequentemente dor. A resplandecente cidade eterna com ouro e pedras preciosas proporcionará alegria incrível aos servos de Deus, os quais desfrutarão do eterno gozo. Assim, a doutrina do céu deveria dar a cada cristão uma perspectiva completamente nova sobre os seus sofrimentos e aflições do tempo presente. Eles deveriam compreender que suas aflições eram a maneira de Deus os preparar para a glória que estava diante de deles. Como afirmou Paulo: Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (RM. 8. 18). Assim, à luz das bênçãos eternas, suas aflições atuais poderiam ser vistas como pequenas e temporais.

5.2. Mensagem para todas as épocas


Como já foi dito supra, o propósito do livro do Apocalipse é confortar a Igreja militante, de todas as eras, nas lutas contra as forças malignas que se manista fisicamente por meio de homens impios.[103] Nesse sentido a mensagem do apocalipse e de modo especial do texto aqui analisado, apresenta à igreja atual, a verdade que por meio do cordeiro de Deus seremos que forma plena e definitiva mais que vencedores. Como corretamente observa Willian Hendriksen:
Cristo, e não o diabo, é o vitorioso; o plano de Deus, embora, por um pouco, aparentemente vencido, é, no final, visto em seu completo triunfo. Somos vencedores. Não, mais do que vencedo­res, pois não só fomos libertados de grande maldição, na verdade, de toda maldição, como obtivemos também a mais gloriosa das bênçãos (Ap. 21.3).[104]

Essa verdade deve encorajar a igreja a viver olhando para o “lá e então” sem deixar de agir no “aqui e agora”. Por um lado, os cristãos devem olhar para o futuro e saber que seu reino não é neste mundo. Por outro lado, deve viver neste mundo para glória de Deus investido naquilo que durará para eternidade. Como assevera Hoekema: “Nossos esforços em trazer o Reino de Cristo, em sua manifestação plena, são de importância eterna. Nossa vida institucional, nossa obra missionária, nossa tentativa de desenvolver e promover uma cultura distintivamente cristã tem valor não apenas para este mundo, mas inclusive para o mundo por vir”.[105] Trabalhamos por soluções para estes problemas deste mundo caído não com um sentimento de desespero, mas na confiança de esperança.[106]
Finalmente, esta é uma mensagem tanto de consolo para os fiéis, como de juízo para aos governantes e nações que ao longo da história se levantaram contra o cordeiro de Deus e os seus seguidores. Tácita na felicidade dos justos esta a infelicidade dos ímpios. Enquanto os fiéis entrarão para o gozo eterno, os impios infiéis sofrerão o juízo eterno. O Soberano senhor está no controle completo da história e Rei dos reis, a saber, o Cordeiro de Deus, virá para julgar todos. Rei do mundo execerá seu poder de juízo sobre toda a terra (que passará), inclusive sobre os reinos que ao longo da história se levantaram contra seus seguidores. As nações opressoras (como as que estavam a volta de João e as que estão hoje a nossa volta) serão julgadas, e se algo forem achadas em falta (e certamente muitas serão achadas), condenadas por Ele mesmo.
Μαραναθα (“maranata” - “Vem Senhor” [107]). Essa deve ser a nossa esperança!

5.3. Teologia do texto


                Neste tópico serão apresentadas as teologias: bíblica, sistemática e pastoral.

5.3.1. Teologia bíblica.


Criação - O versículo primeiro do capítulo 21 e seguintes refletem os motivos de Gênesis 1-3. A primeira criação fornece a linguagem e a base teológica para a certeza de uma nova criação, como indicado pelos paralelos entre Gn. 1-2 e Ap. 21-22. O mundo criado será restaurado.
Queda - O mundo que Deus criou (בָּרָא - bara –criação do nada ou ex nihilo), originalmente sofreu a catástrofe do pecado e todas as suas consequências. A queda do ser humano em pecado e a consequente entrada da morte nas esferas da criação, “pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou”,[108]
Promessa - Promessa de um redentor futuro se dar no “proto evangelho” Gn. 3. 15, e é progressivamente esclarecida em todo AT. A história da salvação tem como tema principal este Redentor, e é um desdobramento do conteúdo desta promessa supracitada. A partir deste ponto, tudo na revelação do Antigo Testamento aponta para frente e ansiosamente aguarda o redentor prometido, que seria o verdadeiro Sacerdote, Profeta e Rei (Cristo como profeta – Dt. 18. 15; Sacerdote – sl. 110. 4; Rei – 2 Sm. 7. 16.; Servo sofredor), o qual viria nos “últimos dias” para redimir seu povo e o fará de forma definitiva no “último dia”.[109]
Redenção - Cristo o Cordeiro “reconciliou consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Col. 1. 20). O verbo utilizado por Paulo para “reconciliação” (ἀποκαταλλάξαι) ocorre apenas mais duas vezes no Novo Testamento (v. 22; Ef 2.16.). Seu uso neste texto parece similar aos demais usados pelo Apóstolo e traz a ideia de “mudança de inimizade para amizade”, “nova harmonia” e “nova paz”. (Cf. Rm 5.10, 11; 2 Co 5.18-20;). Segundo Vaughan, a maneira que ele foi colocado aqui, provavelmente tem a força intensiva: “para mudar completamente”, ou, “mudar de modo a remover toda a inimizade”.[110] Em cristo a criação volta a paz com Deus!
Consumação - O clímax da história humana e acontece onde tudo começou: na terra. Se o homem a contaminou, Cristo a redimiu e sua obra será definitivamente será consumada no último dia. A frase em Apocalipse 21:1, “o mar já não existe”, ilustra essa imagem de um novo ambiente de paz שָׁלֹום (“shalom” - “paz” ou “bem-estar”) universal. Como vimos, o mar é utilizado na literatura apocalíptica como um símbolo do caos e pode simbolizar o mal. A ausência do mar, no universo restaurado, simboliza o livramento para os quais a criação geme (cf. Rm 8.18-22; Ap 21.27).

5.3.2. Teologia sistemática.


Escatologia realizada e final - O Reino de Deus foi inaugurado na primeira vinda do Messias. O que foi prometido pelos escritores do Antigo Testamento, com relação ao grande evento escatológico, já aconteceu na plenitude dos tempos. Assim, escatologia já teve início, mas de modo nenhum está terminada. O Reino de Deus na era presente é caracterizado pela tensão entre o “já e o ainda não”, isto é, era messiânica presente e a era messiânica futura. A era presente traz consigo outra era porvir. A escatologia do Novo Testamento, portanto, olha para trás, para a vinda de Cristo, que tinha sido predita pelos profetas do Antigo Testamento, e afirma: nós estamos agora nos últimos dias. Mas a escatologia Neotestamentária também olha para frente, para uma consumação final ainda por vir, e por isso também diz: o último dia ainda está chegando; a era final ainda não chegou. Cristão caminha a sombra da cruz e a luz da ressurreição. O crente já vive tanto na era presente como na era futura, pois já está em Cristo e é um com ele, porém ainda não de forma plena.[111]
Estado eterno - A esperança escatológica do Antigo Testamento sempre inclui a redenção da terra. O pensamento hebraico via uma unidade essencial entre homem e natureza. A escatologia presente nas Escrituras afirma que Jesus vai voltar em breve para buscar os seus seguidores fiéis e Deus vai restaurar esta terra para ser a morada eterna dos remidos em uma realidade em que pecado e morte não mais existirão.[112]

 

5.3.4. Teologia pastoral.


Pregação - O Evangelho de Cristo é o centro das Escrituras. Toda a Escritura fala direta ou indiretamente sobre Cristo. O Antigo Testamento anuncia sua vinda, os Evangelhos o mostram entre nós, e as cartas juntamente com Atos e Apocalipse, apresentam a esperança de seu retorno e a glória do novo céu e da nova terra. Thomas Adams afirma que Cristo é “a suma de toda Bíblia, profetizando, tipificando, prefigurando, exibido, demonstrado, a ser encontrado em cada folha e em cada linha”.[113] Bryan Chapell em seu livro “Pregação Cristocêntrica”, mostra-nos que, em todas as pregações (seja no AT ou no NT) devemos considerar o que ele mesmo chama de “FCD - Focalização da Condição Decaída”.[114] A unida esperança para o universo caído é o Cordeiro de Deus! Cristo é a esperança da glória!
Ensino – Como docentes das Escrituras precisamos ensinar a igreja a viver todos os dias na expectativa da volta definitiva de Jesus Cristo. Estando preparados para o novo céu e a nova terra, a fim de sermos achados prontos. Ladd falando da prontidão que os cristãos precisam ter afirma:

A palavra traduzida por ‘vigiai’ nestes vários versos [versos como os que acabamos de ler] não significa ‘aguardar por’, mas uma qualidade moral ou prontidão espiritual para a volta do Senhor. ‘Ficai também vós prontos’ (Lucas 12.40). A incerteza acerca do tempo da Parousia significa que os homens devem estar espiritualmente acordados e prontos para encontrar o Senhor quando quer que ele venha.


Conclusão.


Agora que chegamos juntos ao fim deste trabalho, esperamos ter lançado luz sobre a passagem bíblica aqui analisada. Gostaria de concluir com três aspectos apenas. O primeiro, diz respeito a mensagem principal da passagem. Como foi visto ao falar da herança eterna João desejava confortar a Igreja militante de todas as eras nas lutas contra as forças malignas que se manista fisicamente por meio de homens impios e encorajá-la a permanecer fiel, pois a glória eterna é maior que o sofrimento terreno. À luz das bênçãos eternas, suas aflições atuais poderiam ser vistas como pequenas e temporais.
Em segundo lugar, gostaria de relembrar a resposta a principal questão deste texto apresentada na introdução. O universo atual será totalmente aniquilado, de forma que o novo universo será completamente outro do que o cosmos atual, ou será o novo universo essencialmente o mesmo cosmos que o presente, apenas renovado e purificado?” A posição seguida nesta pesquisa, postula que a restaração total e final da terra, a luz do contexto imediato e da analogia da fé, é a melhor opçã.  καινός (“novo”), como vimos, refere-se predominantemente a uma mudança na qualidade ou essência ao invés de algo novo que nunca tenha estado em existência.
Em terceiro lugar, este texto é de grande importancia para a teologia. Ele O clímax da história humana e acontece onde tudo começou: na terra. Se o homem a contaminou, Cristo a redimiu e sua obra será definitivamente será consumada no último dia. Cristo trará de volta ao seu povo a שָׁלֹום (“shalom” - “paz” ou “bem-estar”) eterna. O novo céu e a nova terra a realidade em seu estágio maior e último daquilo que o Israel de Deus de todas as eras sonhou.
Finalizo, com a relevância deste texto para a igreja atual. Existimos em um mundo no qual os cristãos vivem em duas realidades. Há aqueles que em nome de Cristo têm sido perseguidos e aqueles que inundados pelos pressupostos mundanos se entregaram ao materialismo e vivem o “aqui e agora” sem considerar o “lá e então”. Aos primeiros está é uma massagem de consolo e esperança, pois lhes oferece a certeza de que “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm. 8. 18). Aos segundos, uma mensagem de alerta para que eles vivam no presente século guiados pela luz do estado eterno. Μαραναθα (“maranata” - “Vem Senhor”).

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[1] Cf. HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. p. 330
[2] HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores: uma interpretação do livro do Apocalipse. São Paulo: Cultura Cristã, 1987, p. 16.
[3] WALLACE, Daniel. Revelation: Introduction, Argument, Outlin. Disponível na Bíblia Eletrônica The Word
[4] HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores: uma interpretação do livro do Apocalipse.  p. 16.
[5] WALLACE, Daniel. Revelation: Introduction, Argument, Outlin. Disponível na Bíblia Eletrônica The Word
[6] LOPES, Hernandes Dias. Apocalipse: o futuro chegou, as coisas que em breve devem acontecer. reimp. São Paulo: Hagnos, 2006.
[7] Sociedade Bíblica do Brasil. (2005; 2010). Bíblia de Estudo Nova Tradução na Linguagem de Hoje (Re). Sociedade Bíblica do Brasil.
[8] THIELMAN, Frank. Teologia do Novo Testamento: uma abordagem canônica e sintética. São Paulo: Shedd Publicações, 2007, p. 744
[9] Ibid, p. 361
[10] Sociedade Bíblica do Brasil. (2005; 2010). Bíblia de Estudo Nova Tradução na Linguagem de Hoje (Re). Sociedade Bíblica do Brasil.
[11] Apud CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004
[12] BORNKAMM, Gunther. Bíblia-Novo Testamento-Introdução aos seus Escritos no Quadro da História do Cristianismo Primitivo, ed. Paulinas, São Paulo, 1981, p. 121. 
[13] Ibid
[14] J. J. Collins (ed.), Apocalypse: The Morphology of a Genre.  Semeia 14, 1979, p. 9 apud BOER, Martinus de. A influência da apocalíptica judaica sobre as origens cristãs: gênero, cosmovisão e movimento social. Traduzido por Paulo Augusto de Souza Nogueira. Disponível em: <http://editora.metodista.br/textos_disponiveis/er19cap1.pdf > Acessado em 20 de out. 2011
[15] Deve-se entender, entretanto, que os apocalípticos judeus fundamentaram suas esperanças em um evento futuro, mas o Apocalipse de João as fundamenta no sacrifício passado de Jesus Cristo, “o Cordeiro que foi morto”. Cf. CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004, p. 534
[16] MOUNCE R. H. The Book of Revelation, New international Commentary on the New Testament, Eerdmans, 1977.
[17] BARCLAY, William. Apocalipsis. Buenos Aires: La Aurora, 1975. 490 p. (El Nuevo Testamento comentado por William Barclay ; v.16)
[18] Ibid
[19] Ibid
[20] Sociedade Bíblica do Brasil. (1993; 2009). Almeida Revista e Atualizada 1993; Almeida Revista e Atualizada (Re 21:3–4). Sociedade Bíblica do Brasil; Barueri.
[21] John F. Walvoord, The Revelation of Jesus Christ, Moody Press, Chicago, 1966, p. 48 apud Keathley, J. Hampton.  Introduction to the Things Predictive (Rev 4:1-22:21). Disponível em: <http://bible.org/seriespage/introduction-things-predictive-rev-41-2221> Acessado em: 8 Set. 2011
[22] Sociedade Bíblica do Brasil. (1993; 2009). Almeida Revista e Atualizada 1993; Almeida Revista e Atualizada (Re 1:19). Sociedade Bíblica do Brasil; Barueri.
[23] Ibid
[24] Ibid.
[25] Ibid.
[26] KEATHLEY, J. Hampton.  Introduction to the Things Predictive (Rev 4:1-22:21).
[27] WALLACE, Daniel. Revelation: Introduction, Argument, Outlin. Disponível na Bíblia Eletrônica The Word
[28] Ibid
[29] WALLACE, Daniel. Revelation: Introduction, Argument, Outlin. Disponível na Bíblia Eletrônica The Word
[30] CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004, p. 519
[31] WALLACE, Daniel. Revelation: Introduction, Argument, Outlin. Disponível na Bíblia Eletrônica The Word
[32] CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004, p. 520
[33] Sociedade Bíblica do Brasil. (1993; 2009). Almeida Revista e Atualizada 1993; Almeida Revista e Atualizada (Is 66:22). Sociedade Bíblica do Brasil; Barueri.
[34]AUNE, David E.: Word Biblical Commentary : Revelation 17-22. Dallas : Word, Incorporated, 2002 (Word Biblical Commentary 52C), S. 1115
[35] Sociedade Bíblica do Brasil. (1993; 2009). Almeida Revista e Atualizada 1993; Almeida Revista e Atualizada (Col 1:20). Sociedade Bíblica do Brasil; Barueri.
[36] LANGE, John Peter ; Schaff, Philip; Braune, Karl ; Riddle, M. B.: A Commentary on the Holy Scriptures: Colossians. Bellingham, WA : Logos Research Systems, Inc., 2008, Disponível na Bíblia eletrônica Logos.
[37] Holmes, M. W. (2010; 2010). The Greek New Testament: SBL Edition (Re 21:1). Logos Bible Software.
[38] Aqui καί (kai) foi traduzido como “e depois” para indicar a sequencia obrigatória dentro da narrativa, como faz a net bible. Cf. http://net.bible.org/#!bible/Revelation+21
[39] Καὶ εἶδον  (“Eu vi” - segundo aoristo ativo do indicativo). Ele é usado aqui no sentido de “ver como um vidente em estado de êxtase”. Strong, J. (2002; 2005). Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. Sociedade Bíblica do Brasil.
[40] No texto grego as palavras οὐρανὸν (“céu”) e γῆν (“terra”) estão sem o artigo destacando, também, o aspecto da qualidade, em vez de identidade. Literalmente, é “céu novo e uma terra nova” e não “o novo céu e a nova terra”.
[41] O verbo ἀπῆλθαν (“ir embora”, “partir”) é também traduzido como “de um estado transitório das coisas”. Cf. Strong, J. (2002; 2005). Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. Sociedade Bíblica do Brasil
[42] C.f Walvoord, John F. The New Heaven And The New Earth. Disponível em: <http://www.walvoord.com/article/279> Acessado em 25 de out. 2011
[43] AUNE, David E.: Word Biblical Commentary : Revelation 17-22. Dallas : Word, Incorporated, 2002 (Word Biblical Commentary 52C), S. 1115
[44] STRONG, J. (2002; 2005). Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. Sociedade Bíblica do Brasil.
[45] KASCHEL, W., & Zimmer, R. (1999; 2005). Dicionário da Bíblia de Almeida 2ª ed. Sociedade Bíblica do Brasil.
[46] Cf. C. A. Auberlen, The Prophecies of Daniel and the Revelation of St. John, pp. 76ss.
[47] Cf. HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. p. 330
[48] VINE, W. E. An expository dictionary of new testament words. Iowa: Riverside book and bible house, 1952. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword
[49] HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. p. 330
[50] Ibid
[51] WALVOORD, John F. The New Heaven And The New Earth. Disponível em: <http://www.walvoord.com/article/279> Acessado em 25 de out. 2011
[52] Ibid.
[53] VINE, W. E. An expository dictionary of new testament words. Iowa: Riverside book and bible house, 1952. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword
[54] KISTEMAKER, Simon J. Apocalipse. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 697.
[55] Behm, “Kainos”, TDNT, III, pp. 447-449, apud HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. p. 330
[56] HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. p. 330
[57]Morris, Leon: Revelation: An Introduction and Commentary. Downers Grove, IL : InterVarsity Press, 1987 (Tyndale New Testament Commentaries 20), S. 231
[58]Beale, G. K.: The Book of Revelation: A Commentary on the Greek Text. Grand Rapids, Mich.; Carlisle, Cumbria: W.B. Eerdmans; Paternoster Press, 1999, S. 1039
[59] KEATHLEY III, J. Hampton. The Eternal State (Rev 21:1-22:5). Disponível em: <http://bible.org/seriespage/eternal-state-rev-211-225> Acessado em 25 de out. 2011
[60] A "analogia da Fé" é o inter-relacionamento harmonioso de todas as doutrinas dentro dos limites das Escrituras. As verdades Bíblicas não se chocam nem se contradizem, mas constituem um só sistema da verdade. Os elementos controladores da analogia da fé são: o reconhecer que o controle final se acha na Bíblia, e nela somente; e, em segundo lugar, estar pessoalmente consciente de que tipo de apelo está sendo feito a cada estágio do processo, para não confundir as linhas de controle.
[61]Lenski, R. C. H.: The Interpretation of St. John's Revelation. Columbus, O. : Lutheran Book Concern, 1935, S. 613
[62] Sociedade Bíblica do Brasil. (1993; 2009). Almeida Revista e Atualizada 1993; Almeida Revista e Atualizada (Ro 8:21). Sociedade Bíblica do Brasil; Barueri.
[63] VINE, W. E. An expository dictionary of new testament words. Iowa: Riverside book and bible house, 1952. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword
[64] HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. p. 330
[65] Sociedade Bíblica do Brasil. (1993; 2009). Almeida Revista e Atualizada 1993; Almeida Revista e Atualizada (2 Co 5:17). Sociedade Bíblica do Brasil; Barueri.
[66] HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. p. 330
[67] Sociedade Bíblica do Brasil. (1993; 2009). Almeida Revista e Atualizada 1993; Almeida Revista e Atualizada (Ro 8:22–23). Sociedade Bíblica do Brasil; Barueri.
[68] HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. p. 331
[69] LADD, Presence, 59 – 60 apud HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. 2. ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 2001. p. 20.

[70] Apud KEATHLEY, J. Hampton, III. The Supremacy of the Work of Christ Part 1, The Plenitude and Description of His Work (Col. 1:19-20). Artigo disponível em: <http://bible.org/seriespage/supremacy-work-christ-part-1-plenitude-and-description-his-work-col-119-20> Acessado em: 07/03/2011

[71] MEADORS, Gary T. Baker's Evangelical Dictionary of Biblical Theology. Editado por Walter A. Elwell. Partes da obra disponível em: < http://bibliotecabiblica.blogspot.com/2009/12/novos-ceus-nova-terra-significado.html> Acessado em 27 d out. 2011.
[72] Sociedade Bíblica do Brasil. (1993; 2009). Almeida Revista e Atualizada 1993; Almeida Revista e Atualizada (Sl 51:10). Sociedade Bíblica do Brasil; Barueri.
[73] Ibid
[74] Ibid
[75]Beale, G. K.: The Book of Revelation : A Commentary on the Greek Text. Grand Rapids, Mich.; Carlisle, Cumbria : W.B. Eerdmans; Paternoster Press, 1999, S. 1039
[76] HENRY, Matthew. “Complete Commentary on Revelation 21” in Matthew Henry Complete Commentary on the Whole Bible. Disponível na Bíblia eletrênica e-sword
[77] LANGE, John Peter; Schaff, Philip; Braune, Karl; Riddle, M. B.: A Commentary on the Holy Scriptures: Colossians. Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc., 2008, Disponível na Bíblia eletrônica Logos.
[78] HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. 2. ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 2001. p. 43, 44.
[79] RIDDERBOS, Paul and Jesus, p. 77 apud HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. 2. ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 2001. p. 43, 44.
[80] H.Sasse, “ge” TDNT, I, p. 678 apud HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. 2. ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 2001. p. 329

[81] DEFFINBAUGH, Bob. A Heaven to Seek. Disponível em: <http://bible.org/seriespage/heaven-seek-revelation-211-225> Acessado em 24 de out. 2011

[82] Ibid
[83] GUZIK, David. Commentaries on the bible. Disponível na Bíblia eletrônica e-Sword

[84] DEFFINBAUGH, Bob. A Heaven to Seek. Disponível em: <http://bible.org/seriespage/heaven-seek-revelation-211-225> Acessado em 24 de out. 2011

[85] Ibid

[86] Ibid
[87] RIENECKER, Fritz; ROGERS, Cleon; CHOWN, Gordon; ZABATIERO, Júlio. Chave linguística do Novo Testamento grego. São Paulo: Vida Nova, 1997, p. 636, 637.
[88]Lenski, R. C. H.: The Interpretation of St. John's Revelation. Columbus, O. : Lutheran Book Concern, 1935, S. 613
[89] Segundo Mouse os defensores desta ideia fazem uma ligação mitológica com a lenda babilônica de Tiamat, o dragão antigo do caos que luta com Marduk, o deus da ordem, é possível desde que os escritores tinham A.T. já assumidas e reformou o antigo mito, a fim de refletir vitória de Deus sobre os ídolos. 
[90] Beale, G. K.: The Book of Revelation : A Commentary on the Greek Text. Grand Rapids, Mich.; Carlisle, Cumbria: W.B. Eerdmans; Paternoster Press, 1999, Disponível na Bíblia Logos
[91] Holmes, M. W. (2010; 2010). The Greek New Testament: SBL Edition (Re 21:1). Logos Bible Software.
[92] GUZIK, David. Commentaries on the bible. Disponível na Bíblia eletrônica e-Sword
[93]Morris, Leon: Revelation: An Introduction and Commentary. Downers Grove, IL : InterVarsity Press, 1987 (Tyndale New Testament Commentaries 20), S. 231
[94]Beale, G. K.: The Book of Revelation : A Commentary on the Greek Text. Grand Rapids, Mich.; Carlisle, Cumbria : W.B. Eerdmans; Paternoster Press, 1999, S. 1039
[95] Mounce, Robert H.: The Book of Revelation. Grand Rapids, MI : Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1997 (The New International Commentary on the New Testament), S. 379
[96] Isso é verdade, independentemente de o “mar” ser entendido literal ou figurativamente, embora a “discussão acima mostra que, com toda a probabilidade, “mar” é figurativa para o antigo mundo de ameaças. Portanto, a presença de um mar literal na nova criação não seria inconsistente com a exclusão figurativa do mar em 21.1, afirma: Beale, G. K.: The Book of Revelation : A Commentary on the Greek Text. Grand Rapids, Mich.; Carlisle, Cumbria : W.B. Eerdmans; Paternoster Press, 1999, S. 1039
[97] KISTEMAKER, Simon J. Apocalipse. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, 697
[98] HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores: uma interpretação do livro do Apocalipse.  p. 264
[99] HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. p. 335
[100] MOO, Douglas J.: The Letters to the Colossians and to Philemon. Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Pub. Co., 2008 (The Pillar New Testament Commentary), Disponível na Bíblia eletrônica Logos.
[101] HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores: uma interpretação do livro do Apocalipse.  p. 16.
[102] HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. p. 335
[103] HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores: uma interpretação do livro do Apocalipse. São Paulo: Cultura Cristã, 1987, p. 16.
[104] HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores: uma interpretação do livro do Apocalipse. São Paulo: Cultura Cristã. 2001 , pp. 261,262
[105] HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. p. 335
[106] HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro. p. 335
[107] STRONG, J. (2002; 2005). Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. Sociedade Bíblica do Brasil.
[108] Sociedade Bíblica do Brasil. (1993; 2009). Almeida Revista e Atualizada 1993; Almeida Revista e Atualizada (Ro 8:20). Sociedade Bíblica do Brasil; Barueri.
[109] HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro
[110] VAUGHAN, Curtis: Colossians. In: Gaebelein, Frank E. (Hrsg.): The Expositor's Bible Commentary, Volume 11: Ephesians Through Philemon. Grand Rapids, MI : Zondervan Publishing House, 1981, S. 172
[111] HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o futuro
[112] Ibid
[113] Ver ANGLADA, Paulo R. B. Introdução à hermenêutica reformada – correntes históricas, pressuposições, princípios e métodos linguísticos. Ananindeua, Pará: Knox Publicações, 2006, p. 100             
[114] “É a condição humana recíproca que os crentes contemporâneos partilham com aqueles ou aquele a quem o texto foi escrito que requer a graça da passagem.” (CHAPELL, Pregação cristocêntrica: restaurando o sermão expositivo. São Paulo, p. 44,).

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